sábado, 16 de novembro de 2013

Um debate com Julio Severo e cia. sobre Cessacionismo (Parte 1)

Recentemente tenho participado de um debate em torno da questão cessacionista (para esclarecimento sobre o assunto, veja alguns destes artigos AQUI). O debate encontra-se no blog do Julio Severo, nos comentários (AQUI).

Achei por bem compilá-lo e aqui expô-lo.
Envolvi-me no debate quando um amigo pediu-me esclarecimentos sobre a questão, e indicou-me este texto.
O debate começou com uma simples crítica ao texto de Julio Severo (que, aliás, admiro, coadunando com este em suas posições éticas e até mesmo em seus ataques apologéticos à Igreja Católica). Posteriormente, tomou alguma proporção pouco maior, e outros foram envolvidos. Poupei-lhes os nomes, salvo o Julio Severo.
Meu intuito é que o debate promova esclarecimento e elimine o espírito sectarista e faccioso que perpassa a questão. E que os meus irmãos cessacionistas sintam-se reconfortados com suas posições.
Bom, ao debate.

LUCIO
Julio Severo, eu admiro muito seu trabalho, meu caro, e sei que esse artigo também está enraizado em suas convicções mais profundas de modo que refutá-lo poderá trazer grande incômodo. Mas, mesmo assim, me sinto no dever de corrigi-lo com breves observações.

Primeiro, irmão, cessacionistas acreditam e oram para que Deus faça milagres ou direcione sua providência de maneira especial (como conduzir fenômenos climáticos). É, de fato, uma grande confusão crer que os cessacionistas, por não crerem que Deus conceda 'dons miraculoso' mais, visto que eles tinham função específica de autenticação naquele período, não creem, também, que Deus faça milagres. Deus não fazia milagres somente mediante dons. Com essa distinção, acredito que todo o seu argumento cai, meu irmão.

Outro erro tão grave como esse se encontra em sua sátira no final do artigo. "Se Deus quiser, Ele pode me conceder sem que eu peça." Que cessacionista que pensa assim? Eu mesmo desconheço, irmão. Isso é confundir, de fato, cessacionistas com quietistas e, até mesmo, como você o faz, com deístas.
Até mesmo Cheung, que podemos considerar um continuista, e que também é um determinista, entende que os decretos não alteram nosso dever de orar, nem o significado da oração.
O cessacionista não crê que não é preciso orar para que Deus haja. Muito pelo contrário, crê tanto quanto qualquer outro cristão que a oração é um meio estabelecido por Deus para se alcançar muitas bençãos. Crê e ora! Sugiro a Teologia Sistemática de Charles Hodge para que você confira o que estou dizendo.

Um exemplo disto é quem vos fala. Sou cessacionista e canto o refrão do Ramones sem qualquer problema: I believe in miracles; I believe in a better world for me and you.
Hehe
Espero que corrija sua posição, meu irmão.
Lutar contra o cessacionismo é lutar contra irmãos. Concentre suas forças na luta contra o mal.

ANÔNIMO 1
Lutar contra o cessacionismo é lutar contra uma heresia, Lúcio. Possa Deus lhe dar lucidez.

ANÔNIMO 2
Mr. Lucio: considerando as palavras de Jesus “Pedi e dar-se-vos-á” e considerando que a igreja neotestamentária tinha o dom de profecia (com visões sobrenaturais) e que 1 Coríntios 14:1 nos instrui a buscar intensamente o dom de profecia que eles tinham, pergunta: Você ora intensamente pedindo o dom de profecia, com visões sobrenaturais? Você ora também para ter e ministrar no poder do Espírito Santo, com sinais, prodígios e milagres? O texto do Júlio parece significar exatamente isto. Porém se você for um cessacionista como os outros, você irá trazer sua teologia para desculpar sua descrença.
[Aqui pulamos uma série de textos que não julgamos relevantes à discussão]

CESSACIONISTA 1
Julio, infelizmente você conhece muito pouco do cessacionismo. Eu sou cessacionista, tal qual o Dr Augustus e oro todos os dias: por minha esposa, por meu trabalho, que seja luz para meus alunos. Oro agradecendo pela comida que como e agradeço a Deus pelo perdão dos pecados que Ele me concede todos os dias. A propósito, na semana passada o Dr Augustus escreveu sobre oração e a relação que ele tem com ela.

Oro quando fico doente, clamando pela ação sobrenatural de Deus e oro agradecendo a Deus a inteligência e capacidade que Ele dá para os médicos e cientistas, que desenvolvem remédios contra as doenças. Oro por meus irmãos quando eles ficam doentes e me pedem por interceder por eles.

Oro a Deus quando tenho que tomar decisões importantes na minha vida e peço Seu direcionamento. Aí tenho sempre a Palavra de Deus, rotineira e sistematicamente, lida e dentro do meu coração para Deus falar comigo.

Os teólogos reformados, todos oravam e ensinavam a orar. E o mais importante, oro porque a Bíblia me manda orar.

JULIO SEVERO
O importante, Marcos, é que o Rev. Mark Driscoll, como reformado, CONHECE MUITO BEM O 
CESSACIONISMO. E ele disse que é deísmo e mundanismo. Vincent Cheung diz que é falso ensino. Quem somos nós para discordar? Além disso, veja os links que coloquei depois artigo: Todos mostram a incredulidade do cessacionismo. Graças a Deus, como bem reconhece você, “conheço muito pouco do cessacionismo.” Conheço muito pouco também do deísmo e incredulidade. É importante conhecê-los? Claro que não! Quem conhece a Palavra de Deus sem a contaminação cessacionista (deísta, incrédula), já sabe o que é mais importante. O importante é conhecer a Cristo e sua voz. Jesus diz em João 10:3 que suas ovelhas OUVEM A SUA VOZ. Entre ser um bode cheio de incredulidade disfarçada de belos conceitos teológicos (exatamente como eram os fariseus, que diziam que oravam e liam a Bíblia) e uma ovelha que ouve a voz do Mestre, é tão difícil assim fazer uma escolha?

LUCIO
Olá, meus irmãos (espero que ainda assim mo considerem, depois de eu ter declarado-me cessacionista).
Vou respondê-los um por um.
Primeiro, temos que acalmar nossos ânimos, e discutir com mansidão, para, se estivermos errados, sabermos reconhecer e tergiversar. Antes de continuarmos, questionemos-nos: estaríamos dispostos a mudar?
Caso a resposta seja negativa, por favor, é melhor não continuarmos o debate, não é verdade?
Bom, vamos lá.
Primeiro, respondendo ao Anônimo 1.
"Lutar contra o cessacionismo é lutar contra uma heresia, Lúcio. Possa Deus lhe dar lucidez."
Primeiro, agradeço à oração para que Deus me dê lucidez. Se foi um desejo sincero, apresentado a Deus, estou agradecido.
Mas, como o Franklin Ferreira e Alan Myatt (na Teologia Sistemática) ponderam, heresia e erro teológico são diferentes. Heresia são erros que ferem algum princípio soteriológico, de modo que iniba e embargue a salvação. Acredito que o continuísmo de qualquer espécie seja um erro (e alguns da estirpe montanista chegam a ser heresia), mas não uma heresia, de modo que posso chamar muitos pentecostais de irmãos. Agora, se entende que o cessacionismo é uma heresia, então terá de mostrar como tal embota o conhecimento salvífico. :)

Depois o 'Anônimo disse': "considerando as palavras de Jesus “Pedi e dar-se-vos-á” e considerando que a igreja neotestamentária tinha o dom de profecia (com visões sobrenaturais) e que 1 Coríntios 14:1 nos instrui a buscar intensamente o dom de profecia que eles tinham, pergunta: Você ora intensamente pedindo o dom de profecia, com visões sobrenaturais?"
Bom, peço-lhe, e aos demais que acompanham o diálogo, que considerem a seguinte perspectiva: a Igreja primitiva não tinha as Escrituras em mãos, de modo que o conhecimento revelacional (especial) pleno não lhes era alcançável. O que teve de ser feito, então, era conceder estas instruções enquanto a Igreja não dispunha das Escrituras completas. Essa me parece ser uma explicação muito razoável.
Corrobora com ela o fato de não haver mais instrução nesse sentido em qualquer lugar das Escrituras, e de que a Igreja pós-apostólica, até onde sei, também não praticou tais coisas. Somente no século IV, se não me falha a memória, é que Montano e sua estirpe tentaram abordar tais assuntos.

Atitude mais piedosa para mim é buscar estudar com dedicação as Escrituras e por elas ser orientado.

Ademais, os pontos de esclarecimento e distinção que observei nem mesmo foram considerados... =/

Bom, é isso aí. Aguardo as respostas e, se preciso, amplio os pontos. :)
E Julio, meu irmão, também não achei justa a sua resposta ao Cessacionista 1. Permita-me intrometer-me na conversa entre vocês.
Primeiro, o Driskoll não é um grande teólogo sistemático. Não é autoridade sobre o assunto.
Depois, o Cheung, ao mesmo tempo que condena o cessacionismo, condena o arminianismo como heresia mortal, e tudo mais que não está de acordo com seus pontos doutrinais. Portanto, levantar a posição de Cheung aqui não ajuda muito.
Ademais, acredito que você cometeu uma gafe, irmão, a saber, que para que critiquemos uma posição com propriedade é preciso que a conheçamos melhor.
Depois, ao enquadrá-la na categoria de deísmo e incredulidade, faz-se injusto, como postei no meu primeiro comentário, para com o cessacionismo e para com os cessacionistas. Todos os cessacionistas que conheço (pessoalmente ou por livros) oram e acreditam que Deus pode realizar muitos milagres.
Por fim, você diz, o que concordo, que "O importante é conhecer a Cristo e sua voz. Jesus diz em João 10:3 que suas ovelhas OUVEM A SUA VOZ". Mas isso é já admitir, desde o início, que sua posição é a bíblica, ou seja, pareceu-me uma petição de princípio. Todo aquele que estiver convicto de sua posição como bíblica dirá o mesmo, e, tal como eu, apreciará sua convicção. Ainda assim o debate está aberto.

Vou elaborar um silogismo para que observem que estão a fazer uma falácia chamada afirmação do consequente:

1) Se é deísta não acredita na intervenção de Deus na história.
2) Deus intervir por meio de dons miraculosos é uma forma de intervenção de Deus na história.
3) Alguém não acredita que Deus intervenha por meio de dons.
4) Portanto, esse alguém é deísta.


Viu só? Afirmação do consequente. :)

4 comentários:

  1. O problema é que as pessoas preferem discutir coisas desnecessárias e perdem tempo com isso... atraso de vida a meu ver a respeito de tudo isso... Tenho a seguinte convicção se o kra crê nos dons espirituais, deixe que o mesmo creia nisso, isso é a convicção dele, a sua experiência pessoal, se o calvinista, tradicionalista pensa de forma contrária. deixe que o mesmo pense assim... Acredito que ninguém é obrigado a aceitar imposição de ideias e vertentes teologicas... Entendam, não existe uma verdade absoluta... Não sou doutorado em teologia mas não perco tempo com coisas assim... lamentável ver os ermos que o cristianismo caminho, Reino dividido... deviamos nos apoiar uns nos outros não o contrário...

    ResponderExcluir
  2. Olá, Junior! Obrigado pelo comentário. Porém, infelizmente, terei de discordar, respeitosa e amistosamente.
    Eu não diria que essas coisas são desnecessárias. Essa expressão sugere que são besteiras, trivialidades, o que não podem ser por terem o status de terem sido reveladas por Deus. Ou seja, se está na Bíblia não é balela. É algo que deve ser discutido e certamente tem algum proveito para a vida cristã.
    Eu, particularmente, acredito que a busca pelos dons levou a Igreja a supervalorizá-los e a se esquecerem das Escrituras. É uma consequência lógica deles, um 'reductio ad absurdum', acreditar que se pode conversar com Deus, diretamente, sem o intermédio das Escrituras.
    Entretanto, entendo que não são coisas fundamentais às Salvação. Alguém que crê nos dons, em minha perspectiva, está apenas enganado, e não cometendo uma heresia. Heresia é para a morte, é crer em falso algo que prejudique a fé.

    Depois, meu caro, ideias têm consequências. Essa ideia de tolerância máxima é impossível na realidade. Há ideias com consequências sociais, litúrgicas e que influenciam diretamente a agenda de um grupo. Nosso tempo deve ser remido, nossa adoração levada a sério e nossa influência melhorada. Tudo isso leva as questões a serem discutidas.

    Cara, quando você diz que não existem verdades absolutas (vou com a clássica aqui), propõe que isso seja verdade absoluta. Logo, uma contradição. Abandone esse barco pós-modernista. :) Aliás, se não me engano você estava presente na faculdade quando fiz aquela rápida preleção na ABU... não se lembra?

    Por fim, leia o debate todo e perceba que minha proposta não se difere da sua. Comecei-o propondo que os pentecostais não deveriam considerar-nos hereges, como é o caso. Portanto, entre os que têm convergentes os pontos essenciais da fé, também proponho mútuo apoio e estima. :)

    ResponderExcluir
  3. " Entendam, não existe uma verdade absoluta... "

    Só podia vir da Lagoinha mesmo tal afirmação medonha..


    Joga a bíblia fora ..Não existe VERDADE ABSOLUTA...

    É tudo "RELATIVO" ..Cada um tem "a sua verdade"..

    Abomino essa teologia liberal!!

    DEFESA da FÉ!!

    Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.

    Judas 1:3

    UMA SÓ FÉ!!!

    Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Efésios 4:5

    Misticismo,sincretismo,pragmatismo tem que ser combatidos ..!

    "A heresia vem montada nos lombos da tolerância" (John MacArthur)

    "A verdade separa" (John MacArthur)

    Ecumenismo gospel "envãogélico"?

    Eu e muitos graças estamos fora

    "Sim é sim!! Não é não" passou disso?

    Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. Mateus 5:37

    Ruth Rossini

    http://cessacionismoemfoco.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado por comentar. Só agora eu vi. Gostaria que apreciasse o debate, além do triste comentário do moço. Espero que tenha sido só uma infelicidade...
      E, deletei um dos comentários pq estava repetido, Ok?

      Excluir